Horas antes de se dirigir ao Porto de Rio Grande para participar do batismo da plataforma P-53, ontem pela manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi conhecer os jardins e as demais instalações da pousada Charqueada Santa Rita, em Pelotas, local onde havia pernoitado.
Na madrugada, o presidente já havia vencido o cansaço para atender aos desejos do público. Mais de duas horas depois do horário previsto para pousar no Aeroporto de Pelotas, às 0h19min de quinta-feira Lula desembarcou do avião e se surpreendeu com dezenas de militantes que ainda o aguardavam em meio ao frio. Passados seis minutos, olhou no relógio e indagou a Olívio Dutra, presidente estadual do PT:
– Esse pessoal não tem sono?
– Os nossos companheiros não dormem – disse o petista, que acompanhou a agenda oficial e foi um dos únicos a conversar reservadamente com o presidente.
Lula tinha pressa. Diante da insistência de Olívio para que se aproximasse do grupo que o aguardava no portão principal do aeroporto, o presidente cumprimentou rapidamente os militantes. Pela manhã, às 10h8min, estouraria o espumante gaúcho Miolo rosé brut no casco do navio para dar sorte no batismo da plataforma P-53.
Presidente destacou sacrifício de operários
Não foi de primeira que a garrafa quebrou. O batismo se deu na segunda tentativa. Sob gritos de operários, Lula subiu no palco para destacar o sacrifício dos trabalhadores em construir a plataforma com tecnologia nacional. Após a cerimônia, distribuiu autógrafos e deixou-se fotografar por dezenas de câmeras.
– A gente só constrói uma nação se acreditar e persistir. Sem essa determinação, nós não passaríamos de um país grande e importante, mas chorão – discursou Lula.
Em um dos momentos mais prazerosos, como definiu, o presidente se deu ao luxo de criticar os americanos que sempre deram “palpites” se o Brasil era ou não confiável e agora vivem uma crise financeira.
Ao terminar o discurso, o presidente prometeu voltar quando a P-55 estiver pronta, talvez em 2010. Minutos depois, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, conhecida como a “mãe do PAC”, ser uma das protagonistas da entrevista coletiva junto com o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli. Enquanto Dilma falava que o Brasil está maduro para enfrentar uma eventual recessão nos Estados Unidos, Lula circulava entre operários e relaxava. Chegou a ganhar uma camiseta com a imagem da plataforma lançada ao mar. Não queria falar em eleições, justificando que o presidente não pode se “intrometer” nos mais de 5 mil municípios. Mesmo assim, abraçou e posou para fotos com candidatos do PT.
– Dilma, dá tchau aos jornalistas e vem logo – insistiu Lula às 12h20min de ontem.
– Vou indo porque o presidente me chama – despediu-se a ministra.
Após 12 horas de visita em solo gaúcho, os dois partiram para São Paulo.
– Meu coração disparou e as minhas pernas tremeram – repetia Ana na pousada a quem chegava.
MARCIELE BRUM E NAURO JÚNIOR
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